Quem era aquele cara?
Sim, eu me fiz esta pergunta por mais de cem vezes. A resposta. Aquele cara eu não sabia quem era, aquele cara, aquele que estava sorrindo a 15 metros de mim sem saber que eu estava ali, naquela mesa, em meio há tantas pessoas e cadeiras, aquele cara, aquele eu não conhecia. O cara que eu conheci não era aquele; aquele, com aquele sorriso era o verdadeiro, e eu, conheci apenas um personagem que ele adorava encenar pra mim, cheio de poses e frases clichês que eu até decorei, por ouvir tanto. O cara que estava sorrindo, também não era aquele que eu vi pela primeira vez, que possuía rosto de anjo, e cabelos lisos, e um sorriso que, nossa! pra que olhos com um sorriso daqueles?
Não, eu não conhecia aquele cara, apenas achei que o conhecia. Beijei os labios de outro cara que não aquele que estava tão feliz em meio há tantos outros bobos da corte sem caminho fixo, olhei nos olhos de outro menino que não os olhos daquele que estava ali, tão vulgarmente vestido, e agindo como se coração não houvesse em seu peito. Talvez não haja de forma nenhuma, algo pra que ele possa sentir dentro dele.
Aquele cara tão sorridente, que eu vi, agora estava sem a mascara, agora sim, eu podia ver ele sem aquela coisa dura e feia que o escondia. Esse cara, eu não cheguei a conhecer, conheci alguém com a alma suja e o rosto bruto dele.
Quero dizer, explicando neste texto, que não doeu, nenhum pouquinho, nem um rasguinho, e que não sinto nenhum pudor de não ter sentido nem se quer um pequeno ódio, ou uma grama de magoa, porque não o senti, porque não fez diferença alguma ele estar ali ou não estar, porque eu sei, que se ele não estivesse ali, eu teria comido meu sanduíche e ingerido a minha coca da mesma forma. Ele é só mais um cara desprovido de caminhos.
Estou completamente apaixonada por mim e tenho sido correspondida. Descobri a independência e a auto-suficiência, que são os melhores amantes que uma mulher de verdade pode ter. Quando o cara do sorriso sumiu da minha vista, lembrei que meus labios pediam uma autorização pra sorrir. Lá estava eu, me permitindo ser feliz como nunca, como sempre, como todos os dias.
AnaliceRitzel - TOPN